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Os festejos de verão em honra dos padroeiros das aldeias

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

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Os festejos de verão em honra dos padroeiros das aldeias, são uma expressão cultural e de fé.

Crentes ou não, mais praticantes ou menos, toda a população nesta altura do Verão não deixa de participar nas suas festas anuais, um pouco por todo o concelho.
Sucedem-se em louvor ao Senhor ou em homenagem ao orago ou padroeiro invocados nas paróquias. Mesmo em simples capelinhas, o povo na sua devoção não deixa de manifestar a sua religiosidade, festejando com alegria espiritual que transborda, também em manifestações de carácter popular.
Agosto é o mês fértil nestas manifestações de fé com festas de tradições populares onde, em cada aldeia do concelho, tem maior expressão na festa da sua Padroeira.

O emigrante com a necessidade determinante em responder às diversas carências das suas famílias das suas terras, leva na bagagem uma imagem ou estampa da Santa devota da aldeia e Nossa Senhora de Fátima, como sua protectora na saga da emigração.
O carinho e devoção popular são bem expressos nas promessas e na presença constante que os imigrados para a cidade ou emigrados para o estrangeiro, mantêm na sua terra que faz, anualmente, chorar de alegria os que a reveem.
De modo algum estas manifestações populares podem acabar. Se bem que os arraiais de hoje sejam diferentes dos de há dezenas de anos atrás, porque os tempos mudaram, eles continuam a ter um cunho de raiz popular que não dissocia a fé da sã alegria popular.
A festa anual de Agosto ostenta quase sempre nos cartazes a imagem do padroeiro da terra.

IMG_20190815_170644.jpgCorresponde ao tempo mais agradável e relaxante para todos na aldeia.
Permite que cada um se sinta livre do stress quotidiano, tenha a boa disposição, possua tempo para os amigos, família e comunidade.
A festa evoca boa alimentação, convívio de amigos, roupas novas e divertimentos.
A festa anual da aldeia desempenha uma função importante no robustecimento da identidade e da vida comunitária do povo.
É o momento em que as pessoas da terra se encontram com as suas raízes, evocam as suas memórias comuns, convivem de forma simples e alegre, abrem as portas e procuram apresentar aos de fora a sua melhor imagem. Nesta época de individualismo e de estranheza mútua, temos o dever de apreciar e salvar as festas dos padroeiros como uma oportunidade de enriquecimento pessoal, social e católico.
Estas festas têm características peculiares. São participadas por todos: a festa é de todos, feita por todos, vivida por todos. Mesmo quando se convidam os de fora, é para vir à "nossa festa". Revestem, por outro lado, uma dimensão solene, sagrada que leva a contemplar a dimensão transcendente da vida. Uma festa do padroeiro que não tenha uma missa festiva e uma procissão pelas ruas da aldeia, esquece a postura religiosa da festa e perde, consequentemente e seu valor e consistência.


A nossa população dá relevo aos vários ritos religiosos, participando na missa e na procissão como o ato central de todos os elementos do programa festivo. Enfeitando as ruas e as casas para o momento é uma forma de mostrar o apreço por tais atos religiosos.

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publicado às 20:51


Festejos de Verão na minha aldeia - Vila da Ponte

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

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Animar a nossa aldeia e o reencontro com os amigos são as principais ambições dos VilaPontenses nestes calorosos Verões. 
Verões começando com o São João em finais de Junho, e terminando em finais de Setembro com as vindimas, sendo para nós de cá “os melhores do País”.
É a altura que melhor proporciona aos conterrâneos e visitantes que cá veem umas férias de Verão estimulantes e reparadoras.
E é mais na primeira quinzena de Agosto, que tem sido proporcionado a todos, várias iniciativas, não esquecendo a gastronomia regional presente nos restaurantes da aldeia, e também a visita ao património histórico e paisagístico, desta antiga sede de concelho, onde encontramos o Pelourinho, a Casa da Cadeia e edifícios Brasonados.
Neste período de Verão, Vila da Ponte ganha vida, alegria, cor, som e muita animação.
Jovens e adultos confraternizam e vivem momentos inesquecíveis que constituem as memórias das férias.
A Comissão de Festas da freguesia empenha-se sempre em proporcionar momentos únicos, inesquecíveis.
Organiza programas diversificados do agrado de pequenos e graúdos.
Bailes animados por conjuntos musicais, espectáculo de pirotecnia, banda de música a percorrer a aldeia inteira que, obviamente são momentos muito aguardados.

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A procissão com os andores e músicos, constituem sempre o apogeu no dia da festa, 15 de Agosto.
A Festa do 15 de Agosto em Vila da Ponte, é um verdadeiro convite ao agradável encontro deste povo, que neste dia vive em alegria extrema.
Festa em perfeita harmonia entre o sagrado e o profano, a honrar a Senhora das Necessidades, situada lá no alto do Monte da Borralheira, onde vamos encontra o Santuário e a Ermida, com muitos anos de História, verdadeiro local de fervoroso culto ao longo do ano
15 de Agosto é o dia da Aldeia onde todos se dedicam de corpo e alma à Nossa Senhora das Necessidades.
As mulheres decoram os altares, muitas colocam as melhores colchas à janela ao passar da Procissão, recebem os familiares e amigos de longe, preparam as melhores iguarias para que nada falte à mesa neste dia.
Os homens vestem o melhor fato, assistem à missa campal ao lado do Santuário, sobem os andores, monte acima com os seus tractores, lançam foguetes a anunciar a festa, e para acompanhar a comida, procuram sempre o melhor vinho.
Como importante factor da estabilidade da população, a festa teima em manter-se intacta e coesa e cada vez mais viva
A religiosidade e a festa pagã conservam a sua atracção ano após ano, graças ao espírito dos Vila-pontenses, que comungam tudo num ambiente de verdadeira alegria, tendo um orgulho muito especial na sua Procissão, adornada sempre por uma Banda de Música, este ano de Sernancelhe, que proporcionou momentos ímpares a todos. O Grupo de Bombos com génese já na aldeia a anunciar e dar ênfase à festa, passou a ser um ícone obrigatório.


Deste modo, ao longo do ano, a Senhora das Necessidades atrai fervorosos Peregrinos, buscando milagre e cumprindo promessas, mas também Turistas movidos pelas paisagens ímpares que se desfrutam lá de cima do Monte, alcançando a aldeia de Vila da Ponte e toda a albufeira do Távora

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publicado às 20:31


Identidade cultural

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

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A referência à nossa identidade e valor cultural deverá estar bem presente no adulto já com a maturação alicerçada, com papel influente para os membros da família, amigos e aqueles com quem se lida no dia a dia. 

E assim, nós pais de filhos, somos os representantes duma geração de família, da qual nos orgulhamos, pelos valores que nos transmitiram. 

Lembramo-nos de muitos pormenores educacionais da infância, nos genes encontram-se valores humanos centenários que nos foram transmitidos, existindo como que um fio condutor ligado às gerações, e que nunca o deveríamos deixar quebrar, conectando-o persistentemente aos familiares mais novos. 

É pena o que estamos a observar na contemporaneidade: rotura do fio condutor de gerações e então observamos esta realidade: avós empurrados para os lares, os mais novos independentes e presos aos telemóveis... A transmissão dos valores familiares, desde o simples ato de ajudar a cozer um botão, limpar a loiça à mãe, ou então ensinar regras de civilidade ou cidadania, desapareceu.

E o que vemos também em muitos cidadãos na sociedade de hoje? Desinteresse de muitos adultos em passar testemunhos culturais e familiares aos mais novos, indolência que estes mesmos adquiriram, fruto já duma ignorância a denotar-se na sociedade.
E as futuras gerações?
Que capacidade irão ter para suportar as contrariedades da vida? É que... a vida não é um mar de rosas.

A minha Mãe perdeu a minha Avó com dias de vida, foi educada pela minha Bisavó que faleceu cedo, aos 51 anos foi-lhe diagnosticada uma doença maligna e três anos depois partiu. Até ao fim, sempre boa companheira do marido, tendo educado com distinção os dois filhos.
Sentia-se nela uma bravura transmitida pela educação e dificuldades que teve na vida. Como em muitos da sua geração teve mestres que a prepararam para todos os cenários da vida: o bom e o mau, a alegria e a tristeza.

E assim, no exemplo da minha Mãe, encontramos a força para viver e lutar, que ela soube aprender na educação e instintivamente pela genética onde estavam codificados traços da personalidade adquiridos ao longo dos séculos, pelos seus antepassados.

Para mim felicidade, é dar uma voltinha de bicicleta, tirar umas fotografias ou estar sentado numa esplanada com aqueles que amamos.

Deus não é o culpado das desgraças do ser humano, os homens é que por vezes são bárbaros. A vida ensina-nos a viver com as injustiças, e sentimos que a justiça na maior parte das vezes não é feita, o que é uma lição difícil de compreender.

Para se sobreviver, tantas vezes temos fazer de tripas coração.
Sobreviver? Sim, com os bons amigos, uma variante do amor. Bons amigos, amigos de coração, que os tenho.
Porém, em muitas circunstâncias preferimos ser fiéis aos nossos princípios e conhecimentos, que a vender a alma ao diabo ou ser desonesto na arte de vencer. 

E tantas vezes que temos terrenos adversos à nossa volta e, com tanta tempestade, o melhor é cedermos ao destino, entregarmo-nos às ondas, e acreditar que chegamos serenamente a bom porto. E assim tantas vezes alcançamos a paz que nos traz estabilidade. 

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publicado às 20:17


A LUTA COM DIGNIDADE

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

O Homem só é homem no seu conceito de “intelectual lutador”, enquanto na projecção da sua mente, de forma espontânea, sem premeditar e inocente, vive na ambição da evolução do ser humano, de forma justa, não tendo na retaguarda o visual, o protagonismo ou a superficialidade.
Nas nossas mentes existe uma imensidão de pensamentos e ideias que passam momentaneamente ao longo do percurso do dia a dia.
Ideias que nascem, estão na rotina do pensamento humano, bastando o uso do raciocínio e a reflexão.
Assim sendo, possuímos ideias presentes, e tantas vezes é só aprofundá-las para encontrar a solução.
A sociedade hoje tornou-se muito crítica, tudo reivindica, ouve-se persistentemente a palavra “descontentamento”.
É fácil reclamar, difícil é encontrar soluções.

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                                                                       Quadro a óleo de Luis Canotilho
Hoje, com o dito “mundo virtual”, a “fartura”, “falta do sentido de dever e patriotismo”, “o desrespeito”, deixou de existir entre muitos as ideias, pensamentos reflectidos e acção.
A indolência física e mental passou a prevalecer em muitos; acabou por ser neste perfil de sociedade uma segurança para esses “coitadinhos”.
É que assim vivem seguros, não correndo riscos de insucessos e não arriscam.
São estes os que estão certos?
É este o compromisso a assumir perante a sociedade?
É bonita a resignação de ideias?
Da investigação?
Da preguiça na inovação?
Só reclamar?
A sociedade deve evoluir neste contexto, ir ao encontro desta morbilidade em muitos e criar mecanismos de responsabilidade, cidadania, e mudança nessas pobrezinhas mentes.
É que, vivendo em Democracia, e sendo uma das suas bases a “cidadania” e a “partilha”, é importante que se aja com consciência e vontade.
Preocupam-nos os jovens, o futuro da humanidade, onde muitos já de pequeninos e até terminarem os seus estudos, estão institucionalizados nas creches e escolas, afastados do “ambiente familiar” apenas com convívios “entre colegas em situações semelhantes”. Conclusão?
Não constroem os seus ideais e opiniões, e estão sujeitos à determinação da “filosofia dos grupos”.
Será que não nos apercebemos que este método de “educação” está a abstrair e a marginalizar as mentes dos jovens?
Atenção à falta duma verdadeira formação e valores que os jovens devem adquirir.
A construção defeituosa da sua personalidade e a consequente perca critica de análise e autodeterminação, susceptibiliza-os a serem liderados por grupos, tantas vezes “anti-sociais” e radicais”.
Esta questão dos jovens possui riscos de serem liderados por grupos minoritários.

O Estado, que deve ser representado pelos homens de bem, da cultura, de respeito e exemplos de cidadania, tem de tomar posições:
- repor a verdadeira e tradicional cultura nas mentes dos jovens, instituir nas sua frágeis mentes a capacidade de luta intelectual e aprazar à reprovação dos seus “líderes idiotas”. É quebrar este grande erasmo colectivo bem visível nos jovens: a preguiça e o desinteresse.
Terrível, o ser humano, que nasce puro e imaculado com uma mente sem “informação”, “codificado”, apenas com “instintos natos”, é a própria sociedade que o educa e corrompe.
Terrível, o ser humano a tornar-se predador de si próprio.
Terrível, a ideia do que fazemos estar sempre certa e sermos a perfeição. É o orgulho, o subproduto da sociedade contemporânea.
Há uma conclusão que tiro: somos mais felizes quando nos tornamos mais humildes, quando paramos para reflectir, e quando “por vezes” damos a cara para assumir.
Mudar o País, mudar as mentes, e reafirmar trajectórias culturais, a todos pertence e a escolha é nossa:
-ser-mos lutadores ou coitadinhos
-ser-mos activos persistentes e construtivos na sociedade, ou
-esperar que os dias passem depressa, para a morte rápido chegar.
Lutar, lutar com civismo e cidadania, ter objectivos e escolhas de vida, ser-se determinado.
Pensar, sonhar, estimular a mente...
No interior de cada ser Humano, há sempre um pensador com ideias positivas geniais.

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publicado às 09:38


A FELICIDADE ESTÁ NOS PROCEDIMENTOS MAIS ELEMENTARES DAS NOSSAS VIDAS

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

4A4AF01B-24F1-4A03-977B-1640D0F6500F.jpegSão nestes quentes dias de Verão, nalgumas das Vilas ou Aldeias históricas deste nosso interior Beirão, contempladas com Castelos, que se realizam as Feiras Medievais.

Castelos, vestígios do passado Histórico, e autênticos monumentos Medievais de beleza ímpar, com fantástica inserção paisagística.

São nas Feiras Medievais, nos recintos dos Castelos, que se faz a reconstituição histórica dos cenário do período medieval.
Encenações muito interessantes e instrutivas, com envolvimento de artesãos, fantoches, grupos de teatro, personagens trajadas à época, enfim, todo o ambiente que coloca o espectador num imaginário medieval.

Espectáculos oferecidos e patrocinados duma forma geral pelos dinamizadores culturais locais, dignos de ser apreciados, pois que além do substrato cultural envolvido, a quem assiste, também vive a magnífica encenação propiciada.

Espectáculos populares e salutares, sem bancadas de primeira ou segunda, e cada um a procurar encontrar o melhor ângulo abrangente ao espectáculo.

Afinal, a felicidade no lazer e procura de bons momentos de relaxamento na colectividade, está tantas vezes à mão de semear e alcance de todos.

A vida ensina-nos que a felicidade é o resultado natural da sucessão de momentos ao longo do dia, desde o brio pelas tarefas que realizamos, ao dialogo de lazer com amigos e colegas de trabalho, ou por que não, contar o tempo que falta para o fim de semana, para se conjugarem projectos delineados: a corrida de bicicleta, fotografar paisagens ou eventos, rever amigos, familiares, enfim...

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O encanto da vida está nos pequenos “grandes momentos”, onde expressamos sentimentos e afectividade, com uma grandiosidade exprimida por “lealdade e verdade”.

A emoção em comprar o último modelo de automóvel ou andar nos “tops da moda”, não possui o impacto sobre a profundidade do sentimento emocional e não cultiva a arte do relacionamento humano que perdura, e o harmoniza.
Sendo os “grandes momentos” da vida o somatório dos mais pequenos momentos, qual a razão pela qual não nos deliciamos com eles?
Falta de tempo?
Necessidade de trabalhar intensivamente horas a fio para conseguir pagar a prestação da casa de sonho ou do último modelo de automóvel?
Ou então perseguidos pelas novidades da moda, comprar roupas a preços escandalosos?
Assim sendo há que trabalhar, mais e mais, pois tem de se ganhar mais e mais para consumir cada vez mais.

Neste contexto, o importante da vida é a aquisição da moda, valores materiais, riqueza, ficando para trás os “grandes momentos” que emocionam, vitalizam e ligam o ser humano.

Cria-se então a sociedade materialista, desvalorizada em dignidade e afecto, proliferando então na discussão pública, a conversa fútil, sem conteúdo, ideias ou ideais.

É nos bares, cafés e restaurantes que se percepciona o mais fútil palavreado, desde o Manel que bateu à mulher, o João que está ligado à corrupção, ou então a Maria do Bar da esquina, a empregada mais boazona dos cafés das redondezas.
Conversa em que cada um faz prevalecer as suas grandiosidades: eu aguento mais a bebida que tu, tenho três bons automóveis..., enfim...
Foi o espírito autista e comodista que moldou e deformou muitos: “eu” sou o melhor, “eu” sou o grande, “eu” só acredito no “eu” e oriento-me em função do meu ego.

Vamos voltar ao ambiente vivido nas nossas festividades, neste caso na Feira Medieval Penedono que tive a ocasião de apreciar há um mês atrás.
- Que felizes as dezenas de espectadores ao viverem aqueles momentos dos espectáculos, cheios de graça e originalidade.
- Que felicidade para aqueles actores, muitos deles amadores, a exibirem espontaneamente cenas maravilhosas...

Viver a vida é viver de momentos e sentimentos banais, contemplando e apreçando naturalmente a vida.

Mas o mundo como está, em que os maus dominam os bons, a corrupção comanda o bom senso, havendo adulteração das boas regras de civilidade e respeito, o conceito das pessoas de mérito e exemplares da sociedade, perdeu consistência.

Há poucos anos atrás, quando se utilizava o termo “é uma boa pessoa”, “é muito educado, simples, tem um grande coração”, era a denominação das pessoas exemplares da sociedade.

Hoje, o “homem bom” é por muitos considerado o parvo, o abstracto, porque... tinha mãos para se governar, subir na vida, ou fugir a impostos e não usou a esperteza para o conseguir.
Enfim..., os “xicos espertos” argumentam: coitado é um ingénuo, não se vai orientar. De boas intenções está o inferno cheio.
Assim sendo o que se observa na sociedade actual, é a desvalorização dos homens de referencia, dos homens cultos e bons, proliferando em trajectória desorientada uma sociedade doente decadente e em risco.
Mas é esta “a sociedade moderna”, repleta de tecnologia, rapidez e consumo, não se compadecendo com o valor moral do homem, da sua boa vivência em sociedade, do que é mais simples e mais o enriquece.
É o efeito dominó a alastrar-se aos países civilizados do mundo nesta competitividade tão tensa.
É tão fácil ascender-mos ao bem estar e estabilidade do homem. É apenas uma questão de ligação àquilo que é o mais elementar e básico da vida: o seguimento das pisadas que a civilização do homem apreendeu ao longo da sua existência.

Um simples sorriso ou olhar meigo do próximo, emociona-me, pois sinto que da parte dele existe sensibilidade e afecto.
Enquanto houver no próximo um olhar de afectividade, é de sentir a esperança que, com o continuar do tempo, o ser humano para sobreviver, deixará de ser escravo dos seus caprichos, e apreçará as emoções e vivências nas formas mais modestas de vida.

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publicado às 09:32


Cidadania e civismo

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

CIDADANIA E CIVISMO

Presentemente ouvimos grupos de pessoas e até a própria imprensa a discutir o tema de direitos, da cidadania, da consciência e o papel do cidadão na sociedade. A necessidade em ser-mos unidos e caminhar na frente única da prosperidade de Portugal.

A palavra cidadania hoje encontra-se presente em muitos discursos políticos, em vários eventos sociais, ocultando muitas vezes significativa distância entre a teoria e a realidade das pessoas excluídas socialmente.

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O direito à cidadania deveria ser o direito de todos à participação e uso dos bens materiais e culturais duma determinada comunidade e criados pela sociedade em todas a sua dimensão.
Um exemplo do passado recente no civismo era quando todos que se sentiam motivados a cantar o Hino Nacional e participar nas comemorações com a dignidade patriótica.
Todavia, a decadência desta era tem-se vindo a denotar diariamente.
O aparecimento da atual sociedade, instável, inovadora e em constante mutação ultrapassa-se à memória; o futuro domina o passado, os modelos são postos à prova.
Nesta sociedade turbulenta em que vivemos, cada vez mais afastada duma estabilidade, com gerações em constante transformação, refém da ideologia da novidade, sente-se que a memória vai perdendo o fio condutor merecido e importante.

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O civismo acaba por estar em transição e instabilidade.
Como consequência desta sociedade confusa em que vivemos perde-se a civilidade e constantemente ataca-se o próximo com desrespeito, violências descabidas e inimagináveis em nome da subsistência material.

Falar a respeito da cidadania e do civismo implica primeiro em civilidade, e como não podemos viver sem um ideal, para estabilizar esta sociedade pluralista na dignidade, torna-se importante a maturidade educacional.
Com uma aprendizagem que favoreça o acesso e permanência de todos na escola sem qualquer tipo de politização envolvente, será possível conjugar as características de cada um na construção da cidadania.
Não esquecer que o suporte material nessa formação e desenvolvimento do intelecto das nossas crianças, é a família e o professor.

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A educação pelos pais e na escola assume o lugar de destaque na conjugação dessas questões, sensibilizando em cada ser humano um projeto específico de vida para se desenvolver plenamente num verdadeiro cidadão, na realização de seus deveres e atento aos seus direitos, o que lhe dará consequentemente valorização do seu bem estar e evolução do nível de felicidade.
Só a descoberta continuada da personalidade de cada um, das suas sensibilidades, característica e apetências, a partilha da virtudes e lacunas de cada um entre todos, poderá desenvolver a civilidade e trazer o civismo para a vida do cidadão.

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publicado às 09:29


Família Canotilho

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

FA8932E3-275B-44E9-9AF0-C9524C18CA4D.jpegA família Canotilho de raízes profundas Pinhelenses, sentiu no último encontro uma contagiante partilha de saudade, alegria e boa disposição.
Tão agradável para muitos, dispersos por Portugal, a deslocação a Pinhel, somente para confraternizarem breves momentos de ficar em família.
Todos juntos em Pinhel, pequenina cidade da Beira Alta, mas grande para nos acolher; é que pertencemos à família Canotilho, endógena da Cidade.
Convívio aprazível de saudades, recordações e valores da família, a partição de alegrias e sugestões para novos encontros.
Novas almas, os primos desconhecidos e os mais novos...
Que sensação de paz e harmonia.
Hoje, com a deterioração dos pilares mestres da sociedade, a “FAMÍLIA” e “AMIGOS VERDADEIROS”, sensibilizamo-nos, quando ainda entre muitos perduram estes símbolos de “estabilidade” e “bem estar” humano.
Num dos temas anteriores realcei a importância dos amigos para a nossa estabilidade moral e psíquica do dia a dia. Hoje pronuncio-me sobre a minha família de “raiz”.
Família culta, leal e unida, confortável e sólida, à dimensão que nos proporciona colectivamente “orgulho e brio”.
Somos uma família em que as directrizes mestras se centralizam na sapiência dos mais velhos e experientes, tão importante para todos, a consolidar valores, tradições e histórias de família.
Certamente, se os meu Avós fossem vivos, a reunião do núcleo familiar seria em casa deles, o lar por onde quase todos passamos, onde todos os objectos, os vários compartimentos nos transmitiam a saudosa lembrança dos grandes momentos que por lá passamos, e aquela vitalidade alegre sentida entre os Primos, Tios e Avós muito ligados em tempos de férias.
Assim juntamo-nos na casa do nosso Tio mais novo com amplos espaços para todos patrocinarem em conjunto e à vontade o momento, não esquecendo a zona de recreio para os mais pequenitos poderem brincar e sentirem neste ambiente, “o jardim da brincadeira dos priminhos pequenos”.
O orgulho sentido pelos familiares mais experientes, nas palavras do chefe da casa, o “Tio Quim” foi que, a noção da alma e valores da família “Canotilho”, perdura em todos, e a grande prova, foi a estabilidade emocional sentida, desde o mais pequeno, ao mais idoso.

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E são todos “estes valores”, “os amigos” a “família verdadeira”, com atributos de respeito e cultura que caracterizam o bem estar do “indivíduo” e da “sociedade”.
E é na palavra “cultura”, como fiel de balança social, que sentimos o nível de educação, cidadania e respeito do ser humano e da sociedade envolvente.
Porém na contemporaneidade a sociedade retrocedeu culturalmente com a cultura do individualismo, o consumismo e a própria globalização.
Mas, a cultura, é o catalisador oculto do bem estar da sociedade, e valor imprescindível do cidadão ao seu relacionamento com o mundo e com a sociedade.
Assim sendo, o Homem, possuindo um conhecimento geral do mundo e de si próprio, com a elevação do nível da cultura dispõe de padrões para que a sua sociedade possa evoluir em termos civilizacionais, demarcando-se com as referencias adquiridas por novas aprendizagens, marcando por conseguinte a sua era.
A cultura local, regional ou mesmo Nacional, está instável, há uma proliferação da futilidade pela força dominadora dos média, com uma contagiosidade enorme, tornando-se numa crueldade à sociedade construtiva e de ideias.
E o que fazer nestas circunstâncias para credibilizar e pôr a verdade das regras civilizacionais e culturais com vista ao bem estar do cidadão, e o não enfraquecendo?
Por algum motivo os educadores, desde os pais aos professores se deparam com a indiferença e apatia dos jovens, contextos vários e novos, em constantes mutações.
São as influências dos grupos onde passam a maior parte do dia, com filosofias imaturas e não construtivas que gera a rebeldia destes.
É a proliferação do mundo virtual e dos suportes informáticos a concorrer com os valores institucionalizados da sociedade, como os pais e professores.
É o domínio da indústria de jogo e entretenimento a substituir a educação, o conhecimento e a verdadeira construção da personalidade.
Assim escola e demais Instituições culturais ficam para trás como estruturas “base” de ensino, para ensinar, educar, formar, os valores adquiridos pela civilização ao longo de séculos e que estimulam a capacidade de decisão de cada um.
Esta rápida transformação dos valores culturais, dos estilos de vida, do vazio interno das mentes de muito, das deformações já adquiridas em muitos ao verdadeiro sentido de estar e viver em sociedade salutar e construtiva com previsões catastróficas, a assim continuar, exige de imediato uma profunda reflexão da situação e toma de posições em contexto mundial para repor a verdadeira cultura e valores que afirmem a estabilidade, progresso e bem estar do homem.

C4A08AA3-8101-4A22-977D-CD99F9FA30F2.jpegCuidado, o mundo neste contexto de evolução vive numa ilusão abismal e em depressão grave.
De imediato há que fazer um diagnóstico deste contexto mundial, meditar sobre a cultura e sociedade que entretanto se formou, criando novos métodos de ensino, que incidam sobre o valor do ser humano, a cidadania, o respeito, a Pátria, a psicologia da compreensão, a memorização das ferramentas indispensáveis ao debate, ao senso critico, à nossa cultura como seres inteligentes.
É a educação que devemos repor, com os vários contextos assinalados repostos em conjunto, mas o sacrifício será importante para todos, tal como para nós em estudantes de há 30 anos atrás: humildade, estudar e decorar, decorar e compreender, repor o hábito da leitura, da escrita, estimular o pensamento, criar, ou seja estar ao nível da dimensão cultural da época.
Nós conseguiremos: ao longo dos séculos passamos por vários desafios culturais, civilizacionais e sociológicos; aprendemos muito com a história.
Não queiramos repetir erros que a história nos ensinou...

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publicado às 09:17


Linha do Douro - Comboio presidencial na estação do Vesúvio

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 24.08.19

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O Douro Vinhateiro no território do Vesúvio é mais uma extraordinária maravilha da natureza, resultado duma perfeita simbiose conjugada pela intervenção harmoniosa e artística do Homem que, ao longo dos séculos, foi desenvolvendo a fértil atividade vinícola com transformação da paisagem, criando um cenário único no País. O Douro é o simbolismo constante do querer, coragem e ambição do homem.
E é tudo isto que se visualiza nesta paisagem, já no território de Vila Nova de Foz Côa, as encostas abruptas verdejantes com videiras, algumas em socalcos com paredes bem resistentes de pedra, outras, mais recentes em alas subindo montanha acima, porque a maquinaria atual o consente.
Lá em baixo, o rio Douro, o Senhor da região. A Quinta do Vesúvio escondida pelas escarpas, ao fundo, mais parece uma casa de fadas. Aqui, além dos seus belos jardins e quintais envolventes, as vinhas continuam a dominar a paisagem. Mesmo da outra margem do rio, na Quinta da Ribeira, rasgam as várias montanhas em corredores paralelos desde o cimo até à margens do rio.


Com a nossa mente extasiada, paramos constantemente para admirarmos esse vale único, imponente e singular. Vale com caraterísticas humanas, acolhedoras, belas e destemidas. Muitos chegam a afirmar que este mundo emana uma das mais extraordinárias paisagens rurais de todo o mundo.
O Vesúvio é servido por uma estação de caminhos de Ferro com o mesmo nome, onde param os comboios regionais e, em regime de exceção este ano, o famoso comboio Presidencial, que transporta os passageiros mais abastados, para poderem saborear por umas horas este verdadeiro mundo paradisíaco que é o o Douro no território do Vesúvio.

 

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publicado às 21:55


Turismo pela ferrovia do Douro - da Régua ao Pocinho

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 24.08.19

Resumo da viagem de comboio da Régua ao Pocinho - 1400 CP

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Velocidade, é o requisito dos tempos de hoje para o sucesso do transporte ferroviário.
O turismo pelos trilhos de ferro, apreciado muito pelo intelectual e o homem da cidade, possui a vertente apreciativa ao mundo rural e maravilhas paisagísticas da natureza, o turismo e lazer contemporâneo aos tempos de hoje.

A partida da viagem que apresento na publicação, situa-se na estação de caminhos de ferro da Régua, porém vou tentar retratar o panorama deste espaço, retrocedendo a algumas décadas atrás: 

-- movimento de muita gente, uns a chegar, outros a partir,  mais outros em transbordo de comboios.

-- no bufete da estação, o aroma é a café e tabaco.

-- nas plataformas da estação, o cheiro do fumo a carvão das locomotivas.

Um vai e vem de gente e comboios, onde o espaço da gare se tornava tantas vezes insuficiente perante o enorme fluxo de passageiros.

 Presentemente o tráfego de comboios diminuiu, foi encerrado o último troço da linha do Douro e desmanteladas as linhas do Sabor, Tua, Corgo e Tâmega . 

Sempre por determinação mandatória das rodovias, resultado dos tempos modernos.

Porém observamos pela Europa, e na nossa vizinha Espanha, muitas das ferrovias da era do vapor, a serem adaptadas à contemporaneidade, seja por interesse público, ou então pela iniciativa bairrista e nostálgica de muitos, apesar de algumas terem sido já sido encerradas. 

É a força sentimental duma colectividade, perante a herança simbólica da primeira revolução industrial, no desejo em conservar e recuperar os grandes valores:

-locomotivas, carruagens, infra-estruturas e estações.

E assim, em muitas colectividades da Europa foram criadas associações e empresas turísticas para os fãs das linhas férreas que, perante o prejuízo nas comunidades do encerramento das vias, se valorizou a sua importância, pelo sentimento de perda, transformando-as então numa nova linha férrea, a turística.

 E em Portugal, no Norte, vamos encontrar várias linhas desactivadas, que, no século passado tiveram forte impacto social e comercial, localizadas em áreas com características paisagísticas e ambientais convidativas ao turismo ferroviário, e em condições viáveis de restauro.

É a linha do Vouga, que seguia parte do seu percurso ao longo do vale do mesmo rio; são as várias ferrovias aferentes à linha do Douro, como a do Sabor, Tua, Corgo e Tâmega. É o troço desactivado da linha do Douro entre Pocinho e Barca de Alva.

São linhas de potencial turístico ímpar, com desejo à reabertura, na consciência e opinião das populações locais e homens com perspectiva da rentabilidade destas, e de dimensão cultural e cívica a registar.

Para estas linhas, de bitola estreita, há ainda equipamentos de tracção a vapor, alguns conservados em Museus, como em Macinhata ou Sernada do Vouga, em condições de serem colocados em movimento. 

Valores patrimoniais históricos e heróicos a contemplar o turista nos percursos, com a conveniência em descobrirem as paisagens do Portugal profundo através dos meios de tracção a vapor e destas linhas, seduzindo centenas de entusiastas.



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publicado às 21:40


A locomotiva 1400 CP entre o Vesúvio e o Pinhão

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 24.08.19

A interacção que se sente entre as grandiosas obras de engenharia realizadas nos finais do Século XIX na linha do Douro, como os túneis e pontes metálicas, embelezadas agora com os comboios regionais, presidencial, miradouro e o vapor, criam o ambiente mágico a despertar ao turista e amante dos comboios a percepção da vivência dum mundo diferente.

O passeio guiado pelas locomotivas a vapor, ou a diesel, percorrido tranquilamente, e nós, conhecedores da história epopeica do percurso, com a mente imaginativa a adotar o papel de personagem do terreno no início da linha, sentir-nos-emos contextualizados como "figurinos" do séc. XIX e XX que se empenharam em prol da linha férrea, fosse como maquinista do comboio, chefe duma estação, ou simples passageiro.

Enfim, partindo da estação do Vesúvio (Foz Côa) a apreciar e contemplar as paisagens paradisíacas do Douro, paramos na estação de caminhos de ferro do Tua, onde nos deparamos com duas realidade; a linha do Tua encerrada, e Linha do Douro a terminar mais à frente na Estação do Pocinho.

Surge esta reflexão: vemos os carris que, para leste nos transportavam para o infinito da Europa, e para oeste ainda nos remetem à Cidade do Porto, à rede nacional de caminhos de ferro.
E este adjectivo de pensamento, transportando o homem a uma série de esperanças infinitas, remete-o também a um outro espetáculo da vida: a pretensão aos seus desejos em concórdia à época pretendida.
E logo mais à frente depois de terminar a viagem na estação do Pinhão, e ao cruzar com uma outra composição de comboios vinda do Porto pensei: não me importaria de continuar o passeio, horas e horas sem fim, a apreciar novas paisagens, nem que fosse à velocidade do Vapor.

Linha férrea do Douro, vanguarda tecnológica do século XIX e XX, revivê-la com toda a nostalgia do seu passado epopeico, remete o homem culto para décadas passadas, mas que na realidade é o pulo da vanguarda.
O saber e a realidade dos séculos citados, são os verdadeiros agentes catalizadores dos progressistas do século XXI. É o retorno aos valores culturais que simbolizam e dignificam as comunidades, para que assim o homem pense e possa ainda inverter a trajectória civilizacional descendente de que tem vindo a ser vítima, com o moderno mundo da globalização e das velocidades alucinantes.

O exemplo destas linhas paisagísticas, tão acarinhadas e orgulho simbólico e sentimental do homem da época, é já uma atracção e referência para o indivíduo moderno na audácia cada vez maior em se apoderar dos seus valores simbólicos e epopeicos, para que assim os possa repor e sentir com a mesma ousadia dos seus avós e bisavós.
É o aproveitamento aos modelos do passado, para que assim nos sintamos integrados na cultura e valores do mundo em que vivemos, e consequentemente sentirmo-nos como parte integral duma civilização a facultar orgulho e bem estar.
Uma inversão à velocidade desenfreada dos dias de hoje com o exemplo comprovado do passado a asseverar a nossa existência e realidade da vida.
“O filme desta publicação corresponde a extratos da viagem entre o Vesúvio e Pocinho, com a sonoridade típica das rodas nos trilhos e o motor da célebre máquina 1400 da CP”.

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publicado às 19:40



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