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A apanha da azeitona em Cancelos de Baixo, Mêda

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 12.01.20

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Cancelos de Baixo, 12-01-2020

A apanha da azeitona, marca um momento ímpar na nossa Beira Alta, é o final das colheiras.
Vamos subir então à Quinta da Raposa, localizada em Cancelos de Baixo, Meda.
Aproximando-nos, visualizamos então uma imensidão de Oliveiras a ter como palco profundo, à frente, o Castelo de Numão.
Estamos em Janeiro, um mês que se celebra o ritual da “apanha da azeitona”

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Por todo o perímetro da quinta sente-se que já fervilha o arranque da colheita, impressionando no ar algum aroma da azeitona que caiu há 2 semanas, consequente à “Tempestade Fabien”. A azeitona que está a ser colhida, depois de apanhada e esmagada ir-se-há transformar num dos melhores azeites do mundo, o “azeite do Douro”.
E foi aqui na “apanha da azeitona” que, pessoas muito agradáveis do Concelho da Meda e Trancoso, viveram um ambiente ímpar de companheirismo, propício a momentos salutares e convidativos a encontrar e reafirmar amizades.

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A Quinta da Raposa, altiva sobre Cancelos de Baixo, oferece uma paisagem monumental sobre o vale que separa Ranhados do Poço do Canto e Castelo de Numão.
Envolvente por vinhas, olivais e amendoais, os miradouros naturais que circundam a propriedade contagiam com uma sensação de paraíso na paisagem, visível a dezenas de quilómetros.

Mas dia 11 e 12 de Janeiro todos, mesmo eu a supervisionar a labuta, tivemos de apanhar as azeitonas.
Começamos cedinho o trabalho, ainda quase antes do Nascer do Sol.
A Mercedes, a Arminda, a Susana, a Ana Cristina, a Antónia e a Helena Pinto estendiam os oleados debaixo das Oliveiras. Varapaus na mão e começava o Sr. Carvalho, a Eduarda Costa o José Rita e eu a um ritmo compassado batendo nas Oliveiras. O Joel Ramos e o Carlos Abrunhosa utilizaram o varejador mecânico para apressar a queda da azeitona.
Aquilo que podia parecer uma tarefa difícil, tornou-se numa festa. As árvores abanavam ao ritmo de cada um, dançando uma melodia que alternava entre a valsa e o pop. E as azeitonas caiam em cima da lona. Pareciam gotas de chuva em forma de azeite a cair no chão. Sentia-se um barulho, como que, duma chuva de granizo por cima duma chapa de zinco.

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E as anedotas, conversas mais atrevidas e ousadas acompanhavam o ritmo da vareja. Ainda por cima dos toldes escolhiam-se as azeitonas das folhas que com elas caíam. Era então tempo de colocar essas azeitonas no empilhador do trator do Sr. Alfredo, para então as depositar no reboque, que irão ser levadas brevemente à Azenha do Sr Pedro em Cogula.
Tanta Oliveira para varejar, e todos a pensar: é que só depois de todas terem dançado e ser despojado o seu fruto é que termina o trabalho. Este ano cada oliveira só deu para meia saca.
Só falta agora a azeitona ir ao lagar, passar pelos tornes e se transformar então no azeite.
Quanto gostamos das azeitonas, bem-haja à sua existência, pois todo este processo de transformação alegra tanto a todos que intervêm no fabrico do azeite, e àqueles.que repartem esta opinião.

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publicado às 18:08


1 comentário

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De Anónimo a 19.01.2020 às 08:45

Obrigado ela vossa dedicação e trabalho.

Continuação de boas jornas!

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