Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A FELICIDADE ESTÁ NOS PROCEDIMENTOS MAIS ELEMENTARES DAS NOSSAS VIDAS

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 25.08.19

4A4AF01B-24F1-4A03-977B-1640D0F6500F.jpegSão nestes quentes dias de Verão, nalgumas das Vilas ou Aldeias históricas deste nosso interior Beirão, contempladas com Castelos, que se realizam as Feiras Medievais.

Castelos, vestígios do passado Histórico, e autênticos monumentos Medievais de beleza ímpar, com fantástica inserção paisagística.

São nas Feiras Medievais, nos recintos dos Castelos, que se faz a reconstituição histórica dos cenário do período medieval.
Encenações muito interessantes e instrutivas, com envolvimento de artesãos, fantoches, grupos de teatro, personagens trajadas à época, enfim, todo o ambiente que coloca o espectador num imaginário medieval.

Espectáculos oferecidos e patrocinados duma forma geral pelos dinamizadores culturais locais, dignos de ser apreciados, pois que além do substrato cultural envolvido, a quem assiste, também vive a magnífica encenação propiciada.

Espectáculos populares e salutares, sem bancadas de primeira ou segunda, e cada um a procurar encontrar o melhor ângulo abrangente ao espectáculo.

Afinal, a felicidade no lazer e procura de bons momentos de relaxamento na colectividade, está tantas vezes à mão de semear e alcance de todos.

A vida ensina-nos que a felicidade é o resultado natural da sucessão de momentos ao longo do dia, desde o brio pelas tarefas que realizamos, ao dialogo de lazer com amigos e colegas de trabalho, ou por que não, contar o tempo que falta para o fim de semana, para se conjugarem projectos delineados: a corrida de bicicleta, fotografar paisagens ou eventos, rever amigos, familiares, enfim...

IMG_1019.JPG
O encanto da vida está nos pequenos “grandes momentos”, onde expressamos sentimentos e afectividade, com uma grandiosidade exprimida por “lealdade e verdade”.

A emoção em comprar o último modelo de automóvel ou andar nos “tops da moda”, não possui o impacto sobre a profundidade do sentimento emocional e não cultiva a arte do relacionamento humano que perdura, e o harmoniza.
Sendo os “grandes momentos” da vida o somatório dos mais pequenos momentos, qual a razão pela qual não nos deliciamos com eles?
Falta de tempo?
Necessidade de trabalhar intensivamente horas a fio para conseguir pagar a prestação da casa de sonho ou do último modelo de automóvel?
Ou então perseguidos pelas novidades da moda, comprar roupas a preços escandalosos?
Assim sendo há que trabalhar, mais e mais, pois tem de se ganhar mais e mais para consumir cada vez mais.

Neste contexto, o importante da vida é a aquisição da moda, valores materiais, riqueza, ficando para trás os “grandes momentos” que emocionam, vitalizam e ligam o ser humano.

Cria-se então a sociedade materialista, desvalorizada em dignidade e afecto, proliferando então na discussão pública, a conversa fútil, sem conteúdo, ideias ou ideais.

É nos bares, cafés e restaurantes que se percepciona o mais fútil palavreado, desde o Manel que bateu à mulher, o João que está ligado à corrupção, ou então a Maria do Bar da esquina, a empregada mais boazona dos cafés das redondezas.
Conversa em que cada um faz prevalecer as suas grandiosidades: eu aguento mais a bebida que tu, tenho três bons automóveis..., enfim...
Foi o espírito autista e comodista que moldou e deformou muitos: “eu” sou o melhor, “eu” sou o grande, “eu” só acredito no “eu” e oriento-me em função do meu ego.

Vamos voltar ao ambiente vivido nas nossas festividades, neste caso na Feira Medieval Penedono que tive a ocasião de apreciar há um mês atrás.
- Que felizes as dezenas de espectadores ao viverem aqueles momentos dos espectáculos, cheios de graça e originalidade.
- Que felicidade para aqueles actores, muitos deles amadores, a exibirem espontaneamente cenas maravilhosas...

Viver a vida é viver de momentos e sentimentos banais, contemplando e apreçando naturalmente a vida.

Mas o mundo como está, em que os maus dominam os bons, a corrupção comanda o bom senso, havendo adulteração das boas regras de civilidade e respeito, o conceito das pessoas de mérito e exemplares da sociedade, perdeu consistência.

Há poucos anos atrás, quando se utilizava o termo “é uma boa pessoa”, “é muito educado, simples, tem um grande coração”, era a denominação das pessoas exemplares da sociedade.

Hoje, o “homem bom” é por muitos considerado o parvo, o abstracto, porque... tinha mãos para se governar, subir na vida, ou fugir a impostos e não usou a esperteza para o conseguir.
Enfim..., os “xicos espertos” argumentam: coitado é um ingénuo, não se vai orientar. De boas intenções está o inferno cheio.
Assim sendo o que se observa na sociedade actual, é a desvalorização dos homens de referencia, dos homens cultos e bons, proliferando em trajectória desorientada uma sociedade doente decadente e em risco.
Mas é esta “a sociedade moderna”, repleta de tecnologia, rapidez e consumo, não se compadecendo com o valor moral do homem, da sua boa vivência em sociedade, do que é mais simples e mais o enriquece.
É o efeito dominó a alastrar-se aos países civilizados do mundo nesta competitividade tão tensa.
É tão fácil ascender-mos ao bem estar e estabilidade do homem. É apenas uma questão de ligação àquilo que é o mais elementar e básico da vida: o seguimento das pisadas que a civilização do homem apreendeu ao longo da sua existência.

Um simples sorriso ou olhar meigo do próximo, emociona-me, pois sinto que da parte dele existe sensibilidade e afecto.
Enquanto houver no próximo um olhar de afectividade, é de sentir a esperança que, com o continuar do tempo, o ser humano para sobreviver, deixará de ser escravo dos seus caprichos, e apreçará as emoções e vivências nas formas mais modestas de vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:32



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D