Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A sobrecarga de trabalho intelectual e o lazer

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 10.09.19

Em conversas de lazer numa sala de reuniões do Hospital, e já há alguns aninhos, quando por lá fazia serviço, os colegas do António José, reconheciam que este trabalhava em demasia.

Não que o desejasse, porém era como que instintiva a sua dedicação à labuta.

Consta-se que, já desde a Universidade, nos estudos em medicina, assim o era.

O dia-a-dia do trabalho no Serviço Nacional de Saúde começa diariamente às 8 horas da manhã para terminar duas vezes por semana às 8 da noite. Logo que acorda vai verificar os emails recebidos do correio electrónico, e na cama à noite, verifica o que há de novo proveniente do seu serviço.

DSC01478.JPGAté há bem pouco tempo os fins de semana e feriados eram também ocupados com trabalho, e para agravar numa tarefa mais stressante, em serviços de urgência. Parar em alguns dias, era tantas vezes impossível, pois folga não parecia existir no glossário dos quadros médicos. 

Mesmo de férias continua a ter compromissos telefónicos com muitos dos seus pacientes e atenção contínua aos emails do serviço. A família sempre a protestar, a reprovar os constantes atendimentos do telemóvel e a só falar de doentes e doenças. 

Reforma?  Parece estar a anos de luz. A meta é, ao menos deixar o Serviço Nacional de Saúde daqui a quatro anos. Certeza, não o garante, mas possui o medo de sentir a falta do stress que o serviço lhe proporciona.

Apesar do ritmo muito intenso ao longo da semana no trabalho público e privado, sente que a sua saúde não está a ser prejudicada. Até alude que gosta e se entretém com as tarefas profissionais.

Fora do consultório coabita com actividades que lhe proporcionam equilíbrio:

- ciclismo, refúgio que o ajuda a afastar-se das tarefas profissionais que estão na sua cabeça. 

- depois de pedalar, António José também se dedica a uma quinta que já era da sua bisavó e da qual é proprietário; outra válvula de escape, actividade muito mais aprazível porque gosta da natureza. É o dedicar tempo a um trabalho que proporciona bem estar, mesmo sendo “outro trabalho”.

António José, que trabalha em excesso, assim como muitos outros, deve ter atenção. 
O que os leva aos extremos da dedicação? 
Se for uma questão da personalidade exigindo o máximo de si, há já um sinal de alarme. São determinações internas a impor metas elevadas que as tornam em doses excessivas de labuta. 
Começam então os risco para a saúde física e mental, em que mais cedo ou mais tarde se transformam em esgotamento ou depressão, exigindo pausa no trabalho. 

A realidade é que o trabalho que atualmente é exigido na função pública, com sobrecargas extremas e cumprimentos duma multiplicidade de metas, exige demasiado aos seus profissionais e perturba as suas mentes.

É preocupante, para as chefias é muito importante reavaliar as formas de gestão e estarem atentas às preocupações dos funcionários, procurando proporcionar um trabalho mais digno e recompensador.

IMG_20190508_105743.jpg

Está provado e sente-se, pausas de tempo livre diário são de extrema importância para o bem estar do profissional. 
A pausa também é importante para a entidade patronal. Que adianta ter um funcionário stressado, que assim não produzirá eficientemente? 
E os prejuízos para a saúde a longo prazo ligados à sobrecarga no serviço? A baixa da imunidade, problemas cardiovasculares,  patologias ligadas à ansiedade e depressão, e em casos mais extremos, o síndrome de burnout, comum naqueles que coabitam com o público, caso de professores e médicos.

São muitas as situações de pacientes que chegam ao médico esgotados, consequente ao trabalho, muitas vezes tarde demais, pois procuram ajuda após o surgimento duma doença grave, como o AVC ou enfarte do miocárdio. 

Separar a vida profissional, da pessoal é básico para o equilíbrio e bem-estar. 

É muito importante estimular o trabalhador intelectual à prática duma atividade física. Manter o exercício físico após um dia de trabalho intenso é possuir uma boa ferramenta para melhorar a qualidade de vida. 

Quando se fala de síndrome de burnout, corresponde ao nível máximo do stress profissional. Os principais sintomas são dores de cabeça, desmotivação, alterações do humor e memória, insónias, falta de apetite e fadiga.

IMG_20190501_122519.jpg

Assim, nós intelectuais com profissões muito stressantes, para que possamos ter melhor qualidade de vida,  precisamos duma prática regular de atividades físicas, horários específicos para lazeres e outras tarefas, evitando os excessos físicos e psicológicos, estando persistentemente atentos a sinais de alerta consequente a excesso de trabalho que possam interferir com o bem-estar.

E não esquecer o que os bons amigos e familiares nos transmitem sobre a nossa conexão com o trabalho.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:15


Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D