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Final de férias - 20/08/2019

por antonio-jose-leitao-canotilho, em 24.08.19

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Férias, pausa à labuta profissional, paragem à vida real quotidiana e importante para reflexões, tempo de lazer, ler escrever e conviver.
A realidade, é a rotina do dia a dia, as tarefas de cada um no seu meio, a constante exigência de responsabilidades no trabalho, do relacionamento com os colegas e amigos, e até o cumprimento da rigidez de horários.
Se muitos colocam reticências a estas palavras, a realidade é que se não fosse a rotina e responsabilidades diárias, então viveríamos deprimidos por não trabalhar, tornando-se o dia uma eternidade torturante.
Acontece com todos: dias após o reinício do trabalho e as responsabilidades diárias, então voltamos à estabilidade mental, à rotina.
O trabalho intelectual inerente à especificidade de cada um na sua rotina diária, na verdade, não exige gastos excessivos da energia mental. É que, parte da rotina diária está automatizada pois os recetores do córtex cerebral, estão bem treinados e automatizados.
Porém é a adquirir e a apreender mais conhecimento ou variações da rotina diária, que vai exigir mais esforço mental do que a prática laboral diária.

Então e dando continuidade a este raciocínio, estamos em sintonia com muitos ao afirmarem que se cansam mais em férias. E é verdade: alterações de horários, decisões pontuais sobre o que fazer, onde passear ou encontrar um restaurante para jantar, ou seja, a falta de rotina e constantes decisões pontuais, irão exigir um gasto aumentado de energia mental que a muitos causa “cansaço”.
Portanto, irei reiniciar para breve o meu trabalho profissional, no meu Centro de Saúde e no meu Consultório, ao lado dos meus funcionários de trabalho, discutir assuntos da minha área com aqueles com quem me sinto à vontade, ou seja, entro na rotina e pouparei aquele “débito mental desgastante das férias”.

O trabalho institucional tem de ser altruísta, pois nós, seres sociáveis que somos, sentimos necessidade e prazer de trabalhar em grupo, e é confortável quando sentimos nos colegas recetividade e apoio.
E estes gestos altruístas são recíprocos, não pedem contrapartida, cultiva-se o bem pelo simples prazer de o fazer, e sempre que possamos, estamos prontos para dar e receber de acordo com este espírito.
E é este o perfil filosófico que perdura em muitas de nós, na minha Instituição de trabalho.

Porém, na sociedade, há muitos que vivem na quebra persistente da rotina, persistentemente em tentativas de inovações infundamentadas, determinação obsessiva em tentarem prevalecer as suas teorias autistas e consequentemente causando desgastaste intensivo ao córtex cerebral.

É o caso da crescente degradação de muitos líderes políticos, que, tornando-se em verdadeiras forças de conquista ao poder, se empobrecem na sabedoria ideológica e de valores.
Assim, sentimos e ouvimos que à discussão pública se sucedem frequentemente ofensas, difamações e argumentações a denegrir o próximo. Tais alegações a querer prevalecer pela imposição da gritaria e ira dalguns, os tais protagonistas, é onde a dignidade e razão, são trocadas por um vazio de propostas deprimentes e sem conteúdo.
É pena; e o que estamos a ver?
Divergências incontornáveis, penalização da classe média e um País em depressão.
Que irresponsabilidade o autismo obsessivo, orgulho e vaidade dalguns.

Onde estão os bons homens e boas mulheres? Tão distantes e afastados…
Impera e prevalece a ambição desmedida, a ausência de valores civilizacionais e o respeito.
A democracia e os ideais estão a ser substituídos pela imoralidade, corrupção e amigos de ocasião, razão do descrédito a alguns políticos.
O persistente desgaste à população trabalhadora está a causar fraturas graves na sociedade, abordagens afastadas do debate público, face às constantes notícias no dia a dia sobre escândalos, assaltos, guerras e depressão da economia Mundial.
O que estamos a ver aqui no nosso interior?
Ondas de emigração consequência de todo este mal-estar sociopolítico, pois não há respostas adequadas. Perdemos os bons trabalhadores, no nosso interior Beirão, as aldeias na maioria, só têm idosos, e no prazo de uma a duas décadas, o que será do nosso Interior, como estará Portugal?
Resta-nos retroceder, olharmos para a História e valores civilizacionais adquiridos ao longo de centenas de anos, e aproximarmo-nos dessas regras com as conquista positivas alcançadas no último Século.

(Quadro do post, autor: Luis Canotilho)

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publicado às 14:10


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